Em tempos em que as fronteiras se tornaram linhas cada vez mais simbólicas para o crime organizado, operações policiais interestaduais revelam como redes clandestinas se infiltram em diferentes regiões do país, conectando cidades, contas bancárias e personagens que, à primeira vista, parecem invisíveis. No Pará, esse cenário voltou ao centro das atenções com o avanço de mais uma ofensiva contra o tráfico de drogas e suas engrenagens financeiras.

Foi nesse contexto que a Operação "Erga Omnes", coordenada pela Polícia Civil do Amazonas, chegou ao Pará com apoio direto da Polícia Civil do Pará. A ação mobilizou equipes da Divisão Estadual de Narcóticos e da Divisão de Repressão à Lavagem de Dinheiro, que cumpriram mandados contra suspeitos de integrar uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas e lavagem de capitais.

📷 Equipe da Polícia Civil do Pará que atuou em apoio à operação coordenada pela Polícia Civil do Amazonas, voltada ao combate ao tráfico de drogas e à organização criminosa. |Jeniffer Terra/PCPA

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LOGÍSTICA DO TRÁFICO

Segundo o delegado David Bahury, responsável pela Divisão Estadual de Narcóticos, a ofensiva faz parte de uma investigação mais ampla que busca desarticular uma cadeia criminosa estruturada em vários estados brasileiros, incluindo Pará, Amazonas, Piauí, Ceará, Maranhão, Minas Gerais e São Paulo. As investigações apuram crimes como organização criminosa, corrupção, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.

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As apurações revelaram que o território paraense desempenhava papel estratégico dentro da logística do tráfico. Empresas de fachada eram utilizadas para movimentar recursos ilícitos, enquanto traficantes locais realizavam depósitos nas contas do grupo criminoso para adquirir entorpecentes vindos da região de Tabatinga, no Amazonas, área de fronteira com países produtores como Peru e Colômbia.

PRISÃO E APREENSÃO

📷 Mulher é conduzida por agentes da Polícia Civil do Pará após ser presa em operação integrada com a Polícia Civil do Amazonas contra organização criminosa. |Jeniffer Terra/PCPA

O trabalho conjunto de inteligência entre as polícias civis dos dois estados permitiu identificar envolvidos e mapear a movimentação financeira da quadrilha. Durante o cumprimento das ordens judiciais no Pará, uma mulher foi presa suspeita de participação direta no esquema.

Com ela, os policiais apreenderam cartões de crédito e um telefone celular, materiais que devem contribuir para o aprofundamento das investigações. A suspeita foi autuada por organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, permanecendo agora à disposição da Justiça.

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