A engrenagem de um esquema interestadual que misturava corrupção, lavagem de dinheiro e veículos com documentação fraudulenta voltou a ser alvo da Polícia Civil do Pará na manhã desta quarta-feira (20). Em uma ofensiva simultânea realizada em diferentes regiões do país, investigadores cumpriram mandados contra integrantes de uma organização criminosa suspeita de transformar automóveis roubados ou irregulares em bens aparentemente legalizados.

Batizada de operação "Sinal Falso", a investigação chegou à segunda fase com prisões, apreensões e novas descobertas sobre a atuação do grupo criminoso, que teria ramificações no Pará, Sul do Brasil e até conexões com o Paraguai. Segundo os investigadores, a quadrilha utilizava corrupção dentro do sistema de trânsito para realizar transferências fraudulentas de veículos e movimentar grandes quantias de dinheiro ilícito.

CONTEÚDO RELACIONADO

MANDADOS FORAM CUMPRIDOS EM QUATRO ESTADOS

📷 Polícia Civil investiga organização criminosa envolvida em transferências ilegais de veículos, lavagem de dinheiro e pagamento de propina a servidores públicos. |João Caio/Agência Pará

Ao todo, onze pessoas foram presas em cumprimento a mandados de prisão preventiva. As diligências também incluíram ordens de busca e apreensão em 13 endereços ligados aos investigados. As ações ocorreram nas cidades de Belém, Ananindeua e Marituba, no Pará, além de Florianópolis, em Santa Catarina; Porto Alegre e Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul; e Foz do Iguaçu, no Paraná.

Quer mais notícias de polícia? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão a Roubos e Furtos de Veículos Automotores (DRFRVA), vinculada à Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). A operação contou ainda com apoio de equipes da Divisão de Homicídios (DH), Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE) e Divisão Estadual de Narcóticos (DENARC), além da cooperação das Polícias Civis de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

GRUPO ATUAVA COM CORRUPÇÃO E FRAUDE EM TRANSFERÊNCIAS

📷 Polícia Civil cumpre mandado de busca e apreensão na residência de suspeito investigado por participação em esquema criminoso. |Jeniffer Terra/PCPA

De acordo com o delegado Augusto Potiguar, titular da DRCO, a nova fase da operação teve como foco o núcleo intelectual da organização criminosa. Segundo ele, as investigações apontaram que parte do grupo operava na região Sul do país, especialmente nos estados do Paraná e Santa Catarina, de onde partiam solicitações para legalização irregular de veículos. "As transferências ilegais dos automóveis eram feitas mediante pagamento de propina!", explicou o delegado.

As apurações indicam que o esquema dependia da atuação de servidores públicos corrompidos para viabilizar processos administrativos fraudulentos dentro do sistema do Departamento de Trânsito.

VEÍCULOS ERAM ENVIADOS AO PARAGUAI

Segundo o delegado Linconl Vruck, titular da DRFRVA, um dos investigados apontados como liderança do grupo era responsável por localizar veículos roubados ou registrados em nome de terceiros e providenciar sua "regularização" por meio de corrupção de agentes públicos.

O objetivo era utilizar os automóveis em financiamentos fraudulentos com garantia veicular ou enviá-los para Ciudad del Este, no Paraguai. Ainda conforme a Polícia Civil, três servidores públicos ligados ao Detran/PA já haviam sido presos durante a primeira fase da operação. Eles seriam responsáveis por executar processos administrativos ilegais em troca de pagamentos semanais.

MAIS DE 200 VEÍCULOS PODEM SER APREENDIDOS

As investigações revelaram ainda a existência de mais de 200 automóveis leves e pesados com situação irregular espalhados pelo Brasil. De acordo com os investigadores, os veículos deverão ser apreendidos à medida que forem identificados pelas autoridades policiais.

Documentos, celulares e outros materiais recolhidos durante a operação passarão por perícia e análise para aprofundar as investigações e identificar novos envolvidos no esquema criminoso.

PRESOS ESTÃO À DISPOSIÇÃO DA JUSTIÇA

📷 Ao todo, 11 pessoas foram presas durante a segunda fase da operação que apura irregularidades no sistema de veículos do Detran do Pará. |Jeniffer Terra/PCPA

Os suspeitos detidos foram encaminhados às delegacias das cidades onde ocorreram as prisões e permanecerão à disposição da Justiça após os procedimentos legais.

A Polícia Civil informou que a operação continua em andamento e que novas fases não estão descartadas diante das provas já reunidas durante a investigação.

MAIS ACESSADAS