O julgamento do lutador de MMA Igor Roger Barreira, acusado de matar a facadas a influenciadora digital e mulher trans Paola Bracho, teve início nesta sexta-feira (26), no Fórum Criminal de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O réu responde pelo crime de feminicídio, ocorrido em março de 2025, dentro de um motel localizado no bairro Águas Lindas.

O caso ganhou grande repercussão no Pará e mobilizou familiares, amigos e movimentos em defesa dos direitos da população LGBTQIA+, que acompanham o julgamento e cobram a condenação do acusado.

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Segundo as investigações da Polícia Civil, Paola Bracho, que morava no bairro da Sacramenta, em Belém, entrou em um quarto de motel na BR-316 acompanhada de Igor Roger na madrugada do dia 1º de março de 2025. Horas depois, funcionários do estabelecimento acionaram a polícia após ouvirem uma intensa discussão no local.

Ao chegarem ao motel, policiais encontraram Paola morta no banheiro do quarto, com múltiplas perfurações provocadas por arma branca. O acusado foi localizado ainda no estabelecimento, apresentando diversos ferimentos pelo corpo e vestindo apenas roupas íntimas. Ele recebeu atendimento médico e foi encaminhado ao Hospital Metropolitano.

Após receber alta hospitalar, Igor deixou a unidade de saúde e permaneceu desaparecido por algumas horas, sendo localizado e preso pela Polícia Civil no dia seguinte, na residência de um familiar, na Região Metropolitana de Belém.

Acusação de feminicídio

De acordo com a decisão judicial que levou o caso a júri popular, há indícios suficientes para que o acusado responda por homicídio qualificado, tipificado como feminicídio. A investigação apontou que a vítima sofreu diversos golpes em regiões vitais do corpo.

Em depoimento à polícia, Igor Roger alegou ter agido em legítima defesa, afirmando que Paola teria tentado atacá-lo com um canivete. No entanto, os laudos periciais preliminares indicaram uma possível desproporção na reação do acusado, hipótese reforçada pelo fato de ele ser atleta profissional de artes marciais e possuir treinamento específico para situações de confronto.

A Justiça considerou a gravidade do crime e os elementos reunidos durante a investigação para decretar a prisão preventiva do réu e determinar que ele fosse submetido ao julgamento pelo Tribunal do Júri.

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Família cobra condenação

Desde o assassinato, familiares e amigos de Paola Bracho realizam manifestações e campanhas nas redes sociais pedindo justiça. A irmã da vítima, Fernanda, chegou a cobrar celeridade nas investigações e a aplicação da pena máxima ao acusado.

A morte da influenciadora causou forte comoção entre seguidores e integrantes da comunidade LGBTQIA+, especialmente em Belém, onde Paola era conhecida por sua atuação nas redes sociais, compartilhando conteúdos sobre beleza, cotidiano e diversidade.

O julgamento prossegue no Fórum Criminal de Ananindeua, onde serão ouvidas as partes envolvidas antes da decisão dos jurados sobre a condenação ou absolvição do acusado.

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