A Polícia Civil do Pará investiga a morte de uma jovem encontrada sem vida em um terreno baldio no bairro da Cremação, em Belém. O caso, que inicialmente foi registrado pela Divisão de Homicídios, passou a ser apurado pela Delegacia de Feminicídios e Outras Mortes Violentas em Razão de Gênero, diante de indícios de que o crime possa ter motivação relacionada à violência contra a mulher.
A vítima foi identificada como Amanda Letícia Figueira. O corpo dela foi localizado por moradores em um terreno nas proximidades da Rua dos Caripunas, no bairro da Cremação. Amanda estava parcialmente despida.
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De acordo com informações preliminares da perícia, a jovem apresentava diversas escoriações pelo corpo e uma lesão contusa no lábio inferior, mas nenhuma delas seria suficiente para causar a morte. A principal hipótese apontada pelos peritos é de que Amanda tenha sido vítima de asfixia mecânica, possivelmente por sufocação ou esganadura.
Segundo testemunhas, Amanda havia sido vista pela última vez na sexta-feira. As circunstâncias exatas do crime ainda estão sendo investigadas. Até o momento, não foi possível confirmar se a vítima sofreu violência sexual. O resultado dos exames periciais complementares deverá esclarecer essa possibilidade.
Família cobra justiça e critica exposição nas redes sociais
Em entrevista a RBATV, familiares da vítima manifestaram indignação diante da brutalidade do crime e cobraram uma resposta rápida das autoridades. Imagens de câmeras de segurança analisadas pela família mostram Amanda deixando sozinha o local onde estava por volta das 18h32.
"Nós temos filmagens da câmera daqui da frente e ela sai daqui sozinha, às 18h32. Ela saiu sozinha, ninguém veio convidar ela para beber. E eu acho um absurdo as pessoas estarem ainda cogitando culpá-la", afirmou uma tia da vítima.
A familiar ressaltou que, independentemente das circunstâncias, nada justificaria a violência sofrida pela jovem.
"Mesmo que ela recebesse um convite para beber em um bar, isso não dava direito de fazerem o que fizeram com a minha sobrinha, porque ela morreu de uma maneira horrível. Eu não desejo isso para ninguém", desabafou.
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A tia também revelou que Amanda enfrentava problemas de saúde e fazia uso de medicamentos controlados. Segundo ela, a jovem havia passado por diversas internações psiquiátricas e fazia tratamento com antipsicóticos.
"A minha sobrinha saiu sozinha porque ela estava doente. Ela foi internada três, quatro vezes. No último surto que ela teve, saiu com sequelas. Ela tomava vários antipsicóticos, remédios muito fortes. Ela sofreu muito. Eu fico imaginando a dor de uma mulher ser abusada e morta. Acho um absurdo as pessoas estarem divulgando fotos do corpo da minha sobrinha. As pessoas precisam ter respeito com a dor da família", afirmou.
Ex-companheiro é apontado como principal suspeito
A família de Amanda aponta como principal suspeito um ex-companheiro da vítima, que, segundo os parentes, não aceitava o fim do relacionamento. De acordo com relatos, Amanda teria contado anteriormente que havia sido agredida por ele.
"Ela falou para a tia que terminou com ele porque ele bateu nela. Mas ele estava obcecado por ela", declarou a familiar.
Segundo a tia, imagens obtidas pela família mostram Amanda sentada e conversando com dois homens pouco antes de desaparecer. Um deles seria o ex-companheiro.
"Quando eu vi as filmagens da minha sobrinha sentada com três homens, e um deles eu já sabia que não era de boa índole, foi uma coisa que doeu muito ver", disse.
A hipótese de feminicídio ganhou força após os relatos de supostas agressões anteriores e ameaças atribuídas ao ex-companheiro. A polícia trabalha para identificar e localizar todos os homens que aparecem nas imagens de segurança.
As imagens mostram Amanda caminhando e, posteriormente, sentando-se para conversar com os suspeitos. Esse teria sido o último registro dela com vida antes de o corpo ser encontrado.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que nenhuma linha de apuração foi descartada.
