A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), uma nova fase de uma operação que investiga o uso ilegal de dados sigilosos no país. Entre os principais alvos está o empresário Marcelo Paes Fernendez Conde, de 65 anos, que passou a ser procurado por suspeita de envolvimento no esquema.
O caso integra a Operação Exfil, que apura a obtenção ilegal de declarações fiscais de figuras públicas e familiares por meio de acessos indevidos aos sistemas da Receita Federal. Entre os alvos estaria Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
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Por determinação do próprio ministro, foram expedidos um mandado de prisão preventiva e seis de busca e apreensão, cumpridos nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Todos têm ligação direta com o empresário investigado.
As apurações indicam que o esquema pode ter sido mais amplo do que inicialmente previsto. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), dados de 1.819 contribuintes foram acessados sem autorização, incluindo integrantes do Judiciário, políticos e empresários. Há indícios de que essas informações eram posteriormente repassadas mediante pagamento.
Depoimentos e materiais já coletados pela Polícia Federal apontam que Marcelo Conde teria solicitado informações específicas por meio de terceiros, incluindo o contador Washington Travassos de Azevedo, que já havia sido preso em fase anterior da operação. A suspeita é de que listas com CPFs eram fornecidas para obtenção de dados fiscais, com pagamentos feitos em dinheiro.
As investigações também revelam a existência de uma cadeia estruturada para viabilizar os acessos ilegais. O grupo envolveria desde servidores com acesso aos sistemas até intermediários e prestadores de serviço, como vigilantes e despachantes.
Na decisão que autorizou as medidas, Alexandre de Moraes destacou a importância da apreensão de dispositivos eletrônicos para esclarecer o alcance da atuação dos investigados. Segundo ele, registros digitais e comunicações podem ajudar a identificar outros envolvidos e reconstruir o funcionamento do esquema.
A operação teve etapas anteriores em fevereiro, quando mandados foram cumpridos em três estados. Desde então, a PF tenta identificar se houve quebra ilegal de sigilo de autoridades sem autorização judicial, além de mapear o possível uso indevido de sistemas ligados à Receita Federal e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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O caso segue em investigação e pode revelar novas ramificações de um esquema que, segundo os investigadores, operava de forma organizada e contínua.
