O Ministério Público Eleitoral deu parecer favorável à pesquisa da AtlasIntel, em que mostra a candidata ao governo do Pará, Hana Ghassan, com 53% dos votos

A Justiça Eleitoral do Pará autorizou a divulgação da pesquisa AtlasIntel sobre a disputa pelo Governo do Estado, após analisar um pedido apresentado pela coligação O Pará É do Povo, ligada à candidatura de Daniel Santos (Podemos). A decisão, assinada neste domingo (23) pela juíza auxiliar Marielma Ferreira Bonfim Tavares, revogou a suspensão que havia impedido temporariamente a publicação do levantamento.

Com a liberação, os números da pesquisa mostram a governadora Hana Ghassan (MDB) na liderança, com 48,6% das intenções de voto no cenário que considera todos os entrevistados. Daniel Santos aparece com 40,5%. A diferença entre os dois é de 8,1 pontos percentuais.

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O resultado ganha ainda mais peso quando são considerados apenas os votos válidos. Nesse recorte, que exclui votos brancos, nulos e eleitores que não souberam responder, Hana chega a 53,3%, enquanto Daniel aparece com 44,4%. Se esse cenário se repetisse nas urnas, a governadora poderia ser eleita já no primeiro turno.

Pesquisa chegou a ser proibida

A divulgação do levantamento havia sido suspensa anteriormente por uma decisão liminar da própria Justiça Eleitoral. A representação foi apresentada pela Coligação O Pará É do Povo, que questionou a forma como a pesquisa havia sido registrada.

O argumento apresentado era de que o questionário aplicado pela AtlasIntel continha perguntas sobre a disputa para a Presidência da República, embora o registro estadual da pesquisa estivesse relacionado às eleições para governador e senador no Pará.

Diante do questionamento, a Justiça determinou inicialmente que a AtlasIntel não divulgasse os resultados. Também foi estabelecida multa de R$ 10 mil para cada ato de descumprimento da ordem.

A situação mudou depois que a empresa apresentou informações sobre outro registro feito no sistema da Justiça Eleitoral. Segundo a AtlasIntel, além do cadastro estadual, havia um registro nacional específico para a pesquisa presidencial, que também contemplava o Pará.

Ministério Público defendeu a divulgação

O Ministério Público Eleitoral analisou os documentos apresentados e se manifestou pela retirada da suspensãoNa avaliação da Procuradoria Regional Eleitoral, os dois registros deveriam ser considerados conjuntamente. O levantamento estadual estava registrado para governador e senador, enquanto as perguntas relacionadas à Presidência estavam vinculadas ao registro nacional.

O Ministério Público também considerou que os questionários haviam sido disponibilizados nos respectivos registros antes da divulgação, permitindo o acompanhamento e a fiscalização pelas autoridades eleitorais. Com base nessa análise, a Procuradoria entendeu que não havia motivo para considerar a pesquisa irregular ou sem registro.

Justiça muda decisão e libera levantamento

Ao analisar o caso novamente, a juíza Marielma Ferreira Bonfim Tavares concluiu que a existência do registro nacional modificava o cenário considerado na primeira decisão. A magistrada destacou que os dois registros foram feitos antes da divulgação da pesquisa e que não havia, nos documentos analisados, indícios de que as perguntas sobre a eleição presidencial tivessem sido incluídas de forma clandestina ou sem conhecimento da Justiça Eleitoral.

Por isso, a liminar foi revogada e a representação foi julgada improcedente. Na prática, a decisão retirou a proibição que impedia a publicação dos resultados e afastou a multa de R$ 10 mil prevista na decisão anterior. A Justiça também considerou que não havia elementos suficientes para afirmar que houve fraude, manipulação ou realização de pesquisa sem registro.

Os números

Com a pesquisa agora liberada, o cenário de primeiro turno mostra Hana Ghassan com 48,6% das intenções de voto, contra 40,5% de Daniel Santos. Os demais candidatos aparecem com percentuais bem menores. Araceli Lemos (PSOL) tem 1,4%; Roberto Pereira (PRTB), 0,3%; Cleber Rabelo (PSTU), 0,2%; e José Moita (Democrata), 0,1%. Gal Leite (UP) não pontuou.

Brancos e nulos representam 3,4% das respostas, enquanto 5,3% dos entrevistados disseram não saber em quem votar. Quando esses últimos grupos são retirados da conta, o cenário muda para 53,3% de Hana contra 44,4% de Daniel entre os votos válidos.

É justamente esse recorte que aponta para uma possível definição da eleição ainda no primeiro turno. Isso ocorre porque, para vencer nessa etapa, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos.

Vantagem também aparece no segundo turno

A pesquisa também simulou uma eventual disputa direta entre Hana e Daniel em um segundo turno. Nesse cenário, a governadora aparece novamente na frente, com 49,1%, enquanto Daniel registra 41,8%. Outros 6,4% afirmaram que votariam branco ou nulo e 2,7% não souberam responder. Considerando somente os votos válidos, o resultado corresponde a aproximadamente 54% para Hana e 46% para Daniel.

A AtlasIntel entrevistou 1.197 eleitores paraenses entre os dias 14 e 19 de agosto de 2026. O levantamento foi contratado pela Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa) e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número PA-04533/2026.

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A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança informado é de 95%. Os números representam o cenário encontrado durante o período em que as entrevistas foram realizadas e não significam uma previsão do resultado das urnas. A intenção de voto pode sofrer alterações até o dia da eleição.

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