A morte do empresário e influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, na última sexta-feira (6), em Ouro Preto (MG), reacendeu debates sobre sinais silenciosos que podem indicar problemas cardíacos. O mineiro sofreu um infarto fulminante enquanto estava em seu haras, no distrito de Amarantina, e a repercussão nacional do caso levou especialistas a comentarem um detalhe observado em fotos do influenciador: a presença do pouco conhecido Sinal de Frank, uma dobra no lóbulo da orelha associada em alguns estudos ao risco cardiovascular.
Em entrevista ao DOL, o médico cardiologista Antonio Monteiro explicou o que é o sinal, quais são suas limitações e por que ele não deve ser interpretado como diagnóstico isolado, mas sim como um possível alerta dentro de um conjunto maior de fatores de risco.
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Segundo o especialista, o Sinal de Frank é uma dobra diagonal visível no lóbulo da orelha, geralmente em formato oblíquo, que forma uma linha na pele. O achado foi descrito pela primeira vez na década de 1970 e passou a despertar interesse da comunidade científica por sua possível relação com doenças cardiovasculares.
A explicação médica mais aceita para essa associação está nas alterações que ocorrem nos pequenos vasos sanguíneos e nas fibras elásticas da pele. “Essas mudanças podem refletir processos semelhantes aos que acontecem nas artérias do coração ao longo do envelhecimento e da aterosclerose, caracterizada pelo acúmulo de gordura nos vasos”, explicou Monteiro.
Fique atento aos fatores clássicos
Apesar da repercussão do tema, principalmente após a morte do influenciador, o cardiologista alerta que a relação entre o Sinal de Frank e o risco de infarto ainda é objeto de discussão científica. Existem pesquisas que mostram associação entre a presença da dobra no lóbulo e maior incidência de doença arterial coronariana, incluindo maior presença de placas nas artérias.
No entanto, ele reforça que não há consenso de que o sinal, isoladamente, seja capaz de antecipar um infarto. “Muitos especialistas consideram o achado apenas um indicativo clínico adicional. Ele não substitui a avaliação dos fatores clássicos de risco cardiovascular, como pressão alta, diabetes, colesterol elevado e tabagismo”, afirmou.
Para o médico, o sinal deve sempre ser interpretado dentro de um contexto mais amplo. Antes de qualquer suspeita clínica, é fundamental avaliar aspectos comprovadamente relacionados ao desenvolvimento de doenças cardíacas, como hipertensão, diabetes, níveis elevados de colesterol, histórico familiar de infarto precoce, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e idade.
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“Esses fatores têm impacto muito maior e bem estabelecido no risco cardiovascular. A dobra no lóbulo pode chamar a atenção do médico, mas não possui valor diagnóstico isolado”, destacou.
Quando procurar um cardiologista?
A presença da marca na orelha, por si só, não significa que a pessoa tenha uma doença cardíaca. Mesmo assim, a avaliação médica pode ser indicada em alguns casos específicos. O cardiologista orienta procurar atendimento principalmente quando o sinal aparece junto a outros fatores de risco ou sintomas, como dor no peito, falta de ar, histórico familiar de problemas cardíacos ou doenças crônicas como hipertensão e diabetes.
Também pode ser prudente investigar quando a dobra surge em pessoas mais jovens, fora do contexto esperado do envelhecimento natural.
Na prática clínica, o Sinal de Frank deve ser encarado como um elemento complementar do exame físico, capaz de estimular uma análise mais cuidadosa do risco cardiovascular. “Ele pode ajudar o profissional a olhar o paciente com mais atenção, mas não deve ser usado isoladamente como ferramenta de triagem na atenção básica”, explicou Monteiro.
Segundo o especialista, o principal valor do sinal está em reforçar a necessidade de investigar e controlar fatores de risco já conhecidos, contribuindo para uma abordagem preventiva mais ampla e eficaz.
Alerta para prevenção
A morte repentina de Henrique Maderite, que comoveu fãs e amigos em todo o país, serve como um lembrete sobre a importância da prevenção e do acompanhamento médico regular. Especialistas ressaltam que sinais físicos podem chamar a atenção, mas o diagnóstico e a prevenção de doenças cardiovasculares dependem, sobretudo, de hábitos saudáveis, controle de fatores de risco e avaliações periódicas com profissionais de saúde.
Em meio à repercussão do caso, médicos reforçam que qualquer dúvida sobre sinais corporais ou sintomas deve ser avaliada por um especialista, evitando interpretações isoladas e promovendo uma abordagem preventiva baseada em evidências científicas.
