As canetas emagrecedoras se tornaram febre nos últimos anos em todo o mundo, mas seu uso ainda gera debates importantes sobre manter a saúde e o cuidado com o corpo.

O uso de medicações injetáveis para perda de peso, como o Ozempic e o Mounjaro, voltou ao debate público nas redes sociais. O estopim foi o relato da cantora Lexa, que compartilhou com seus seguidores uma queda acentuada de cabelo durante o tratamento. O episódio acendeu um alerta entre pacientes: afinal, essas "canetas milagrosas" podem causar a perda dos fios?

Embora o efeito assuste, a resposta dos especialistas indica que a causa não está necessariamente na substância química em si, mas na velocidade da transformação do corpo.

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As canetas emagrecedoras são análogas ao hormônio GLP-1 e atuam em diferentes frentes. De acordo com o nutrólogo Gustavo Sá, elas reduzem o apetite ao agir no hipotálamo, retardam o esvaziamento gástrico e melhoram a sensibilidade à insulina.

O resultado é uma redução drástica da ingestão calórica. Contudo, o especialista alerta que os efeitos colaterais iniciais são comuns. "Sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, constipação e refluxo tendem a ser mais intensos no início, mas costumam melhorar com o tempo e com o ajuste gradual da dose", afirma em entrevista ao Globo.

Por que o cabelo cai?

A dermatologista Paula Amorim explica que o fenômeno é conhecido como eflúvio telógeno agudo e está diretamente ligado à velocidade do emagrecimento.

"Consideramos perda rápida quando o paciente elimina cerca de 10% do peso corporal nos três primeiros meses de tratamento. Essa diminuição já pode provocar alterações nutricionais e metabólicas que impactam o ciclo capilar", detalha a médica em entrevista ao Globo.

O cirurgião capilar e tricologista Daniel Amadeu reforça que não há evidências de que o fármaco ataque o folículo piloso diretamente. "Na prática, observamos que a queda está muito mais ligada à perda de peso rápida, especialmente quando há déficit nutricional significativo", esclarece em entrevista ao Globo.

Segundo Amadeu, diante de um estresse metabólico, o organismo prioriza funções vitais e "desliga" temporariamente a produção de fios. O problema é agravado pela saciedade extrema, que pode levar o paciente a ingerir menos vitaminas e proteínas essenciais para a saúde capilar.

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Como evitar o efeito colateral

Para os especialistas, o segredo não está na suspensão do remédio, mas na condução do tratamento. O Dr. Gustavo Sá é enfático ao dizer que o problema reside em estratégias agressivas e sem suporte.

"As canetas são uma ferramenta, não uma solução mágica. O uso precisa estar inserido em um contexto que inclua ingestão adequada de proteínas, treino de força, acompanhamento laboratorial periódico, suplementação individualizada e suporte emocional e comportamental", destaca o nutrólogo.

Ao seguir um acompanhamento multidisciplinar, unindo endocrinologistas, nutricionistas e dermatologistas, é possível mitigar os riscos. Como conclui o Dr. Daniel Amadeu: "O emagrecimento bem conduzido protege a saúde e garante resultados mais sustentáveis".

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