O crescimento dos casos de shigelose no Reino Unido tem chamado a atenção das autoridades sanitárias e da comunidade científica. Além do aumento no número de infecções registrado nos últimos anos, especialistas acompanham com preocupação a circulação de variantes da bactéria que apresentam resistência aos antibióticos e vêm sendo associadas à transmissão durante relações sexuais.
A shigelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Shigella, responsáveis por inflamações no intestino. Os sintomas mais comuns incluem diarreia intensa, dores abdominais, febre, náuseas e, em alguns casos, presença de sangue nas fezes. Apesar de muitos pacientes apresentarem recuperação espontânea, a infecção pode evoluir para quadros graves, principalmente em pessoas mais vulneráveis.
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Dados divulgados pela Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) mostram que o país contabilizou 2.560 casos da doença em 2025, número superior ao registrado em 2023, quando foram notificadas 2.052 ocorrências. A maior concentração dos diagnósticos foi observada em Londres, reforçando a necessidade de intensificar o monitoramento epidemiológico.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge trouxe novos indícios sobre a disseminação da doença. Após analisar milhares de amostras da bactéria, os cientistas verificaram que determinadas cepas transmitidas por contato sexual estão se espalhando com maior rapidez e apresentam níveis mais elevados de resistência aos medicamentos utilizados no tratamento.
Segundo os pesquisadores, uma parcela significativa dos casos investigados estava relacionada à transmissão sexual entre homens que fazem sexo com homens. Outra parte foi atribuída à ingestão de água ou alimentos contaminados, ao contato com superfícies infectadas e a infecções adquiridas durante viagens para regiões da África, Ásia, América Latina e Caribe.
A transmissão da shigelose ocorre pela via fecal-oral. Além da contaminação por alimentos e água, a bactéria pode ser disseminada durante práticas sexuais que envolvam contato com material fecal, o que reforça a importância da adoção de medidas preventivas e de higiene.
Outro fator que preocupa os especialistas é a capacidade crescente da bactéria de resistir aos antibióticos. De acordo com a geneticista Kate Baker, uma das responsáveis pelo estudo, aproximadamente 70% das cepas relacionadas à transmissão sexual analisadas apresentaram resistência a pelo menos um dos medicamentos normalmente indicados para combater a infecção, percentual superior ao observado em outras formas de contágio.
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Diante desse cenário, pesquisadores alertam que a combinação entre maior capacidade de disseminação e resistência aos tratamentos representa um desafio para os sistemas de saúde. A recomendação é que pessoas com sintomas como diarreia intensa, febre, dor abdominal persistente ou sangue nas fezes procurem atendimento médico rapidamente para receber avaliação e tratamento adequados.
