Uma pesquisa da Universidade de Taiwan identificou uma possível associação entre o uso prolongado de tadalafila e o aumento do risco de glaucoma em homens com 40 anos ou mais.
O estudo analisou dados de mais de 73 mil pacientes divididos em dois grupos iguais: usuários e não usuários do medicamento. Os resultados indicam que os usuários tiveram até 22% mais chance de desenvolver a doença ocular em um período de cinco anos.
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Esse achado preocupa especialistas, sobretudo diante do crescimento explosivo do consumo da substância no Brasil. Vale lembrar que as vendas de tadalafila no Brasil cresceram 2000% entre 2024 e 2025, segundo dados da ANVISA.
O volume comercializado saltou de três milhões de unidades para quase 65 milhões no período. O Conselho Federal de Farmácia aponta os jovens como os principais responsáveis por esse aumento.
Além do uso para disfunção erétil, muitos rapazes adotaram o medicamento como suplemento em academias.
Nas redes sociais, o remédio é promovido como um pré-treino com resultados milagrosos, o que amplifica seu consumo sem orientação médica.
O que diz a pesquisa taiwanesa?
Os cientistas analisaram os registros de saúde de 36.927 usuários de tadalafila e outros 36.927 não usuários. Todos os participantes tinham 40 anos ou mais.
Os pesquisadores acompanharam os dois grupos por cinco anos e, então, compararam as taxas de diagnóstico de glaucoma. O resultado mostrou que os usuários do medicamento desenvolveram a doença com maior frequência.
Além disso, eles apresentaram índices mais elevados de hipertensão ocular, condição em que a pressão nos olhos sobe sem causar danos imediatos, mas que representa um fator de risco relevante para o glaucoma.
Recomendações dos autores
Diante dos achados, os autores do estudo fizeram uma recomendação direta.
Segundo eles, "a avaliação e o acompanhamento oftalmológicos podem ser considerados, particularmente em pacientes com fatores de risco para glaucoma".
Os pesquisadores não afirmam que a tadalafila causa glaucoma, mas destacam a necessidade de monitoramento ocular regular.
Portanto, homens que fazem uso contínuo do medicamento devem comunicar seu médico e buscar avaliação com um oftalmologista.
Riscos do uso sem prescrição
O consumo de tadalafila sem orientação médica expõe o usuário a riscos que vão além do glaucoma. Entre os principais perigos documentados, estão:
- Queda brusca de pressão arterial, especialmente em combinação com nitratos;
- Interações medicamentosas perigosas com anti-hipertensivos e outros fármacos.
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Além disso, o uso recreativo ou como pré-treino não tem respaldo científico comprovado. Assim, qualquer pessoa que faça uso do medicamento deve fazê-lo apenas com prescrição e acompanhamento de um profissional de saúde habilitado.
