Roncar alto, acordar cansado ou perceber que a respiração é interrompida durante o sono pode parecer apenas consequência de uma noite mal dormida. Esses sinais, porém, também podem indicar apneia obstrutiva do sono, um distúrbio em que a passagem de ar é bloqueada repetidamente enquanto a pessoa dorme. As interrupções podem acontecer dezenas de vezes em uma única noite e provocar quedas na oxigenação do sangue, além de alterações nos níveis de gás carbônico (CO₂).
Quando não é identificada e tratada, a condição está associada a uma série de problemas de saúde, incluindo hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e alterações de memória e concentração.
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APNEIA PODE ESTAR RELACIONADA À SAÚDE CEREBRAL
Uma pesquisa realizada pela Universidade Monash, na Austrália, reforçou a preocupação com possíveis impactos cognitivos do distúrbio.
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Adultos com mais de 40 anos que apresentavam apneia tiveram desempenho inferior em testes de memória e reuniram mais fatores associados ao risco de demência. Entre os participantes que estavam em tratamento, entretanto, os resultados foram semelhantes aos observados em pessoas sem o distúrbio.
O resultado não significa que a apneia seja, por si só, causa de demência, mas indica que controlar adequadamente o problema pode estar relacionado a melhores resultados para a saúde cerebral.
POR QUE A RESPIRAÇÃO PARA DURANTE O SONO?
A apneia obstrutiva ocorre principalmente quando os músculos da garganta relaxam durante o sono e estreitam ou fecham temporariamente a passagem de ar.
A respiração pode ficar interrompida por alguns segundos. O cérebro, então, provoca pequenos despertares para que a passagem seja reaberta e a respiração volte ao normal.
Na maioria das vezes, esses despertares são tão breves que a própria pessoa não percebe que acordou. O processo pode se repetir inúmeras vezes ao longo da noite.
O QUE ESSAS INTERRUPÇÕES PROVOCAM?
Cada episódio pode provocar uma queda na oxigenação e alterações nos níveis de CO₂. Ao mesmo tempo, os sucessivos despertares impedem que o sono cumpra adequadamente suas funções de recuperação.
É por isso que pessoas com apneia podem apresentar:
- sonolência excessiva durante o dia;
- cansaço constante;
- irritabilidade;
- dificuldade de concentração;
- alterações de memória;
- sensação de não ter descansado mesmo após várias horas na cama.
Com o passar do tempo, a condição também pode contribuir para o surgimento ou agravamento de problemas cardiovasculares.
PROBLEMA É MAIS COMUM DO QUE PARECE
A apneia obstrutiva do sono apresenta elevada prevalência. Dados do Projeto EPISONO, realizado em São Paulo, identificaram o distúrbio em 33% da população analisada. A ocorrência foi mais associada a homens, pessoas mais velhas e indivíduos com obesidade.
O excesso de peso é um dos principais fatores de risco porque pode favorecer o estreitamento das vias aéreas durante o sono, mas uma pessoa não precisa estar acima do peso para desenvolver apneia.
A anatomia das vias respiratórias, o histórico familiar e o consumo de álcool ou medicamentos sedativos antes de dormir também podem aumentar a possibilidade de ocorrência do distúrbio.
CRIANÇAS TAMBÉM PODEM TER APNEIA
Embora seja frequentemente associada aos adultos, a apneia do sono também pode atingir crianças. Nessa faixa etária, alguns sinais merecem atenção dos pais ou responsáveis, principalmente quando aparecem de maneira frequente:
- ronco;
- respiração ruidosa ou irregular durante o sono;
- pausas na respiração;
- sono agitado;
- irritabilidade;
- hiperatividade;
- dificuldade de concentração;
- problemas de aprendizagem.
Nas crianças, uma das causas mais comuns é o aumento das amígdalas e adenoides. Quando essas estruturas ficam muito grandes, podem dificultar a passagem do ar durante o sono.
Obesidade, alterações na formação do rosto e das vias aéreas e histórico familiar também podem aumentar o risco.
TRATAMENTO DEPENDE DA CAUSA
O tratamento da apneia tem como principal objetivo manter as vias respiratórias abertas enquanto a pessoa dorme. Uma das alternativas mais utilizadas é o CPAP, aparelho que fornece ar sob pressão por meio de uma máscara durante o sono. A pressão ajuda a impedir o fechamento das vias aéreas e mantém a passagem de ar aberta.
Em determinados casos, podem ser utilizados aparelhos de avanço mandibular, que reposicionam a mandíbula e ajudam a ampliar o espaço para a passagem do ar.
Mudanças de hábitos também podem fazer parte da estratégia de tratamento. Perder peso quando houver indicação, evitar o consumo de álcool e não fumar são medidas que podem contribuir para reduzir os fatores associados ao problema. Dormir de lado também pode ajudar em determinados casos.
Quando existe uma alteração anatômica específica responsável pela obstrução, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados.
TRATAMENTO INFANTIL PODE SER DIFERENTE
Nas crianças, a abordagem depende principalmente da causa da obstrução. Quando amígdalas e adenoides aumentadas são responsáveis pelo problema, a retirada dessas estruturas pode solucionar a dificuldade respiratória em determinados casos.
Outras crianças podem precisar utilizar CPAP ou aparelhos orais. Estratégias relacionadas ao controle do peso também podem ser indicadas quando a obesidade participa do quadro.
O diagnóstico e o tratamento adequados são importantes não apenas para melhorar a qualidade do sono, mas também para favorecer a concentração, o comportamento e o desenvolvimento infantil.
QUANDO PROCURAR AJUDA?
Ronco ocasional não significa necessariamente que uma pessoa tenha apneia. A preocupação aumenta quando o ronco é frequente e vem acompanhado de pausas observadas na respiração, engasgos durante o sono ou cansaço excessivo durante o dia.
Nessas situações, a avaliação médica é importante. A investigação pode identificar se existe um distúrbio respiratório do sono e qual tratamento é mais adequado para cada caso.
Reconhecer os sinais e buscar diagnóstico são passos importantes para evitar que noites aparentemente maldormidas escondam um problema que pode afetar a saúde cardiovascular, o funcionamento cognitivo e a qualidade de vida.
