Um suplemento probiótico composto por três cepas de bactérias apresentou resultados promissores em idosos com sinais iniciais de comprometimento cognitivo. Um estudo clínico realizado na Coreia do Sul identificou melhora em habilidades visuais e espaciais, além da redução de um marcador sanguíneo associado à doença de Alzheimer após 24 semanas de uso diário da fórmula.
A pesquisa foi publicada em 28 de agosto no Journal of Alzheimer’s Disease e investigou os possíveis efeitos do produto KL-P301 sobre a saúde cognitiva. Ao todo, 87 participantes concluíram o acompanhamento: 40 receberam o suplemento diariamente, enquanto outros 47 tomaram placebo, uma preparação sem os microrganismos avaliados.
O estudo foi conduzido com método duplo-cego, ou seja, nem os participantes nem os pesquisadores sabiam quem recebia o probiótico ou o placebo durante a investigação.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Probióticos ajudam a combater 9 problemas sérios de saúde
- Nova Pílula promete reduzir efeitos da ressaca em até 70%
Testes apontam melhora em habilidades cognitivas específicas
Os resultados indicaram benefícios principalmente em atividades que exigiam interpretação de informações visuais, percepção espacial e reprodução de figuras. Os participantes que receberam o probiótico também mantiveram a capacidade de recordar desenhos, enquanto o grupo que tomou placebo apresentou piora nessa avaliação.
Os pesquisadores observaram ainda melhora em uma escala clínica utilizada para avaliar o comprometimento cognitivo, especialmente no componente relacionado à memória.
Entretanto, os efeitos não foram identificados em todas as avaliações. Não houve diferença significativa entre os grupos nos testes de memória verbal, funções executivas e no Miniexame do Estado Mental, instrumento utilizado para avaliar aspectos gerais da cognição.
Quer mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no WhatsApp
Exame de sangue identifica redução de marcador associado ao Alzheimer
Outro resultado relevante foi a diminuição dos níveis sanguíneos de pTau181 entre os participantes que receberam o suplemento, em comparação com aqueles que tomaram placebo.
A pTau181 é uma forma modificada da proteína tau e funciona como um biomarcador associado a alterações neurológicas relacionadas à doença de Alzheimer. Sua medição no sangue pode auxiliar na investigação dessas alterações, mas a redução observada no estudo não comprova, por si só, uma reversão dos processos relacionados à doença.
A pesquisa também identificou uma redução mais acentuada da interleucina-1 beta (IL-1β) no grupo que recebeu o probiótico. A substância está envolvida em processos inflamatórios do organismo.
Como o probiótico pode atuar na saúde cerebral?
A fórmula KL-P301 reúne três cepas bacterianas e é consumida em pó, diretamente ou dissolvida em água. A investigação faz parte de um campo de estudos que busca compreender a relação entre a microbiota intestinal, os processos inflamatórios e o funcionamento do cérebro.
Os resultados reforçam o interesse científico no chamado eixo intestino-cérebro, que envolve a comunicação entre o sistema digestivo e o sistema nervoso. Alterações nos microrganismos que vivem no intestino vêm sendo investigadas por sua possível associação com processos relacionados à cognição e ao envelhecimento.
Apesar dos resultados positivos em algumas avaliações, os pesquisadores ressaltam a necessidade de novos estudos, com mais participantes e períodos de acompanhamento prolongados, para verificar se os benefícios se mantêm ao longo do tempo.
A pesquisa também não demonstra que o suplemento elimina acúmulos de proteína tau no cérebro, previne o desenvolvimento do Alzheimer ou substitui tratamentos médicos. Os achados representam evidências iniciais sobre os possíveis efeitos da fórmula e ainda precisam ser confirmados em investigações mais amplas.
