Quem nunca ficou preocupado se deixou algo ligado ao sair de casa que atire a primeira pedra! Seja um ferro elétrico, uma lâmpada a consumir energia ou o que quer que seja, saiba que isso pode ser coisa do passado se você morar em uma casa tecnológica.

O conceito pode servir para designar várias descrições, mas, o mais comum trata da “automação dos benefícios e artifícios residenciais, como iluminação, abertura e fechamento de cortinas, esquadrias, funcionamento de aparelhos eletrônicos etc.”, destaca a arquiteta, docente e coordenadora de curso na Universidade da Amazônia, Anna-Beatriz Bassalo Aflalo.

A professora destaca que o conceito é tão essencial na atualidade que, até mesmo no curso de graduação em arquitetura, já faz parte da matriz curricular. “Hoje é uma demanda de mercado”, atesta. Segundo Anna-Beatriz, o primeiro passo para automatizar a residência é ter uma casa planejada para esse tipo de serviço, preferencialmente. “É necessário que o projeto da casa esteja adaptado para essa automatização inteligente, mas é possível automatizar ou dar tecnologia para uma residência com ela já executada”, deixa claro. Sobre o investimento, tudo depende das tecnologias escolhidas, do que se tem no mercado local, que profissionais vão acompanhar o desenvolvimento do projeto, das marcas dos equipamentos, entre outros fatores. “É muito variável”, considera.

Anna-Beatriz pontua que entre as várias tecnologias disponíveis para automação, se pode ter como itens inteligentes a televisão; eletrodomésticos; abertura e fechamento de portas, janelas, cortinas; aparelhos de reprodução de mídias, como DVDs, home theater, data show; além de aparelhos de ar condicionado, entre outros que podem ser controlados até mesmo à distância. Quanto à escolha de quem vai executar o projeto, o leque de possibilidades é grande e depende do que o cliente tem em mente. “O profissional que planeja a residência pode ser o arquiteto; o engenheiro de automação que é um dos profissionais mais habilitados para esse serviço; dependendo do serviço, um profissional de rede de computadores, desenvolvimento de sistemas, engenheiro de som, profissional de acústica, um luminotécnico... todos esses profissionais podem contribuir para tornar a casa inteligente”.

Outro alerta é não tentar economizar com o “faça você mesmo”. “Não é recomendável que se faça por conta própria, procure um profissional habilitado”, indica, antes de citar o cliente que se interessa em comodidades como ter uma geladeira que vai adequar a temperatura de acordo com o que tem em seu abastecimento. “O público que tem se interessado por isso é engajado e adepto de tecnologias, internet das coisas, que quer ter uma casa mais funcional, tecnológica”, lista. “Isso não significa que seja um investimento muito alto ou que precise investir em todas essas tecnologias que eu mencionei. Uma lâmpada que troque de cor, fluxo luminoso, através de um aplicativo, já é um condicionante, um artifício que pode ser considerado parte de uma casa inteligente”, exemplifica.

Em Belém, já existem lojas especializadas para atender esse tipo de consumidor que quer, no caminho de casa, que o condicionador de ar ligue automaticamente em temperatura específica, por exemplo. Uma delas é comandada por Edgard Contente, sócio-diretor da Salt Engenharia. O profissional dá mais exemplos do conforto que pode até mesmo ser um facilitador para idosos e pessoas com problemas de locomoção. “A automação atende a um imenso grupo de pessoas. Desde pessoas com mobilidades reduzidas, até entusiastas de tecnologia. O objetivo é gerar um maior conforto”, introduz.

“Quando se fala em casa inteligente, estamos nos referindo a poder ter a casa com vida própria”, comenta. “Pode parecer loucura, mas uma casa que sabe quando você está em casa e está com baixa luminosidade e ela acende uma lâmpada, é sensacional. Ou então quando um sensor detecta que a temperatura está muito alta e manda ligar um ar-condicionado”, ilustra.

CONSTRUÇÃO

Edgard também concorda que a automatização residencial deve ser priorizada durante a construção ou reforma do apartamento ou casa. “É possível deixar tudo muito bem organizado”, garante. Sobre o investimento, “como tudo na nossa vida, existem diversas marcas e modelos. É possível fazer um cômodo com uma empresa responsável, e que dê garantia de funcionamento, a partir de R$3 mil”, estima.

Além dos itens já citados, o especialista destaca que até esguichos de jardim, bombas de piscinas, banheiras e projetores podem ser controlados de forma automática. “Estamos vendo um interesse maior do público em ter a casa automatizada. Muitas pessoas buscam esse ‘plus’ de comodidade e conforto. Ligar o ar-condicionado antes de chegar em casa é tudo de bom, não é mesmo?”, questiona.

Da comodidade à segurança

De acordo com o site Quero Automação, “transformar uma casa comum em um ambiente automatizado significa poder usufruir do que há de mais moderno para obter comodidade e segurança, já que os sistemas de automação residencial permitem o acionamento de cortinas, aparelhos domésticos, iluminação, controle da segurança, entre outros”.

Com a automação, é possível gerenciar, programar e monitorar vários eventos de maneira remota. Para que isso aconteça, é necessário que todos os aparelhos estejam conectados em um central de controle (central hub), ligada à rede de internet da residência.

Esse controle central pode ser realizado por meio de smartphones, web e display touch screen. “As funcionalidades são programadas de maneira personalizada para atendimento às necessidades de cada usuário, como sustentabilidade, segurança e conforto”, destaca o site especializado.

POSSIBILIDADES INTELIGENTES

A partir da internet, com conexão Wi-Fi e um smartphone com os aplicativos específicos, é possível se dar vários luxos no lar. Os assistentes de voz, como Alexa, Echo Dot ou Google também são peças importantes. Confira a seguir exemplos do conforto que você pode ter dentro de casa, a partir da automação residencial.

CONDICIONADOR DE AR

O aparelho pode ser ligado e regulado à distância, antes de se chegar em casa. Já imaginou chegar da rua, no calor de Belém, e encontrar a sala refrigerada na medida certa?

GELADEIRA E FREEZER

É possível controlar o modo de refrigeração desses eletrodomésticos também pelo smartphone. Em uma viagem, por exemplo, é só ativar o modo férias e aproveitar para não desperdiçar energia. É possível ainda que esses equipamentos avisem quando um item de consumo rotineiro acabou ou está prestes a acabar.

TELEVISÃO

As principais funções podem ser controladas por meio de aplicativos.

MÁQUINAS DE LAVAR E SECAR

Esses equipamentos também podem ser regulados de forma automática, como o modo ideal de funcionamento para cada necessidade.

SENSORES DE TEMPERATURA

Ajudam a economizar energia quando não tem gente em casa.

CAFETEIRAS

Preparam o café na hora certa, de sua preferência.

CORTINAS

Podem abaixar automaticamente para manter a temperatura amena no ambiente.

LÂMPADAS

No Brasil, a Smart Lâmpada Wi-Fi faz sucesso com diferentes tons de branco. Pode ser programada para ficar mais amarela ao anoitecer, tanto pelo aplicativo quanto por comando de voz. Também, se você estiver fora de casa, é viável acionar o acendimento das lâmpadas, de longe, para trazer mais segurança e indicar que o imóvel não está sem ninguém.

LEGISLAÇÃO

* Segundo a Associação Brasileira de Automação Residencial e Predial (Aureside), uma lei que promove incentivos e benefícios tributários à chamada Internet das Coisas (IoT) deve acelerar a automação das residências no país. A expectativa é que o uso de dispositivos de IoT para casas inteligentes deve crescer 20% até 2023.

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