No Brasil, startups já não são construídas em torno de limitações financeiras — elas são construídas sobre uma infraestrutura financeira consolidada. O que diferencia o país não é apenas o tamanho do mercado, mas a profundidade e a maturidade de sua infraestrutura financeira, hoje robusta o suficiente para sustentar inovação em larga escala.

Os números refletem essa transformação. O Brasil conta com mais de 160 milhões de usuários de internet e mais de 220 milhões de smartphones ativos, formando uma das maiores bases de consumidores digitais do mundo. Paralelamente, o setor fintech já ultrapassa 1.400 empresas, enquanto o país se mantém como o principal destino de venture capital na América Latina, frequentemente concentrando entre 40% e 50% do investimento total da região nos últimos anos.

No centro dessa transformação está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central em 2020. Sua adoção foi rápida: mais de 160 milhões de usuários e mais de 4 bilhões de transações mensais até 2025. Hoje, o Pix já representa uma parcela significativa dos pagamentos eletrônicos no país, superando métodos tradicionais em frequência. Para startups, isso significa operar em um mercado onde pagamentos instantâneos e de baixo custo já fazem parte do comportamento cotidiano.

Esse nível de infraestrutura muda fundamentalmente a forma como empresas são construídas. Em muitos mercados da América Latina, startups ainda precisam lidar com ecossistemas de pagamento fragmentados, combinando adquirentes, métodos baseados em dinheiro e transferências bancárias com diferentes níveis de confiabilidade. No Brasil, por outro lado, soluções como o Pix e um sistema financeiro mais integrado permitem que startups construam diretamente sobre uma infraestrutura amplamente adotada desde o primeiro dia.

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O resultado é um time-to-market mais rápido, menor complexidade operacional e a possibilidade de focar na diferenciação de produto, em vez de lidar com a complexidade da infraestrutura financeira.

“O Brasil é um dos poucos mercados onde a infraestrutura financeira atingiu um nível de maturidade que acelera diretamente o crescimento de startups”, afirma Dmytro Rukin, CEO da LaFinteca. “Quando pagamentos, identidade e sistemas bancários já estão digitalizados e amplamente adotados, empresas conseguem escalar em meses, não em anos.”

📷 Dmytro Rukin, CEO da LaFinteca |Divulgação

Esse ambiente também está viabilizando novos modelos de negócio. No Brasil, o embedded finance deixou de ser uma tendência inicial e passou a se consolidar como uma camada central de crescimento: o mercado deve ultrapassar US$ 18 bilhões até 2030, impulsionado por pagamentos, crédito e serviços financeiros integrados a plataformas digitais.

Provedores de infraestrutura, como a LaFinteca, desempenham um papel estratégico nesse cenário ao conectar startups a métodos de pagamento locais e sistemas financeiros, não apenas no Brasil, mas em toda a América Latina. À medida que mais empresas expandem regionalmente, a capacidade de replicar performance e experiência do usuário em diferentes mercados se torna um fator-chave de crescimento.

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Olhando para frente, a trajetória do Brasil indica que o fintech continuará moldando a forma como startups surgem e escalam. Com apoio regulatório contínuo, ampla adoção digital e inovação constante em serviços financeiros, o país está criando as bases para um ecossistema de startups mais integrado e escalável.

Nesse contexto, a próxima geração de startups no Brasil será definida não apenas por modelos digitais, mas pela capacidade de utilizar a infraestrutura financeira como um componente central de sua estratégia de crescimento. Entre agora e 2030, à medida que pagamentos instantâneos, open finance e serviços financeiros integrados continuam avançando, a infraestrutura passará a determinar cada vez mais quais empresas conseguem escalar, e quais ficam pelo caminho.

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