Muito antes da presença humana no território brasileiro, um evento de proporções extremas marcou silenciosamente a história geológica do país. Durante milhões de anos, os vestígios permaneceram espalhados pelo solo, confundidos com outros materiais naturais. Somente agora, com o avanço das técnicas científicas, foi possível revelar a verdadeira origem desse fenômeno.
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmaram que um corpo vindo do espaço colidiu com a Terra há cerca de seis milhões de anos, deixando fragmentos espalhados por uma extensa área do Brasil. O impacto resultou na formação de tectitos, vidros naturais gerados a partir do derretimento de rochas terrestres submetidas a temperaturas extremas.
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A comprovação da origem extraterrestre do material foi publicada na revista científica Geology, após análises químicas e físico-químicas que permitiram diferenciar os tectitos de outros tipos de vidro natural, como o de origem vulcânica. Segundo os cientistas, essas características únicas funcionam como uma espécie de “assinatura” do impacto cósmico.
O geólogo Álvaro Penteado Crósta, coordenador do estudo, explicou que os testes laboratoriais foram decisivos para afastar outras hipóteses sobre a formação do material. A partir da composição química, os pesquisadores conseguiram confirmar que o vidro não se originou de processos internos da Terra, mas sim de um choque de alta energia vindo do espaço.
Até hoje, apenas cinco regiões no mundo tiveram a presença de tectitos reconhecida pela ciência, concentradas principalmente na Oceania, Ásia e Europa. A confirmação no Brasil representa o primeiro registro desse tipo na América do Sul.
Apesar da descoberta, ainda não foi identificada a cratera deixada pelo impacto. Os pesquisadores afirmam que novas investigações serão necessárias para localizar o ponto exato da colisão e determinar se o objeto era um meteorito de menor porte ou um grande asteroide.
Os fragmentos analisados estão distribuídos por uma área superior a 900 quilômetros quadrados, abrangendo desde o norte de Minas Gerais até o estado do Piauí. A extensão dos vestígios sugere que o impacto provocou efeitos devastadores, como tremores intensos, ondas de choque e a dispersão de material derretido por longas distâncias.
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A idade do evento foi determinada por meio de análises isotópicas, que funcionam como um relógio natural. Esse método permite identificar com precisão o momento em que as rochas foram fundidas, oferecendo uma data confiável para o episódio que marcou profundamente a história geológica do continente sul-americano.
