Explosões de carregadores portáteis em aviões assustam passageiros e provocam evacuações de emergência. Os incidentes com power banks crescem e levantam questões sobre a segurança desses equipamentos em voos.
O assunto volto à tona quando um voo, que sairia de Oslo, na Noruega, no final de 2025, teve o embarque cancelado após um incêndio em uma mala de mão. A tripulação evacuou a cabine e oito pessoas foram para o hospital por causa da fumaça tóxica que inalaram.
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Em janeiro de 2025, um avião da Air Busan foi destruído pelo fogo. O incêndio começou após a falha de um power bank no compartimento de bagagem.
Os 170 passageiros e seis tripulantes saíram da aeronave, mas três pessoas sofreram ferimentos leves.
Na China, em outubro de 2025, um voo da Air China pousou de emergência em Xangai. A explosão de um carregador portátil dentro da cabine motivou a decisão do piloto. Ninguém se feriu neste caso.
A causa das explosões
A maior parte dos incêndios acontece por causa da fuga térmica. Este fenômeno eleva a temperatura de forma rápida e sem controle. Danos físicos, defeitos de fabricação ou sobrecarga de energia provocam o problema.
Fabio Delatore, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, explica que toda bateria possui células de energia. A qualidade dessas células varia muito entre fabricantes.
Empresas sem credibilidade escolhem células baratas para baixar o preço do produto final. O professor destaca que células custam de dois a 200 reais. Fabricantes ruins optam pelas mais baratas para competir no mercado.
Esta escolha aumenta o risco de explosões e incêndios.
O perigo fica maior quando os aparelhos estão em locais sem acesso. Vãos de assentos ou o porão de carga impedem que pilotos monitorem o dispositivo. Sem visualização, fica difícil conter os danos.
Estatísticas mostram aumento de casos
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos registrou crescimento nos incidentes. Em 2023, três casos de superaquecimento aconteceram a cada duas semanas. Em 2018, a média era menor que um por semana.
Como prevenir acidentes com power banks
A chance de explosão é pequena quando se usa produtos de procedência comprovada. Estes equipamentos passam por testes que confirmam a resistência dos materiais.
Eles também têm sistemas internos que desligam o aparelho se houver alteração nas propriedades físicas.
Especialistas recomendam o uso de itens de fabricantes confiáveis:
- Samsung;
- Xiaomi;
- Anker;
- Belkin.
Delatore aconselha fazer a recarga longe de materiais inflamáveis. Madeira, carpete e espuma devem ser evitados. Em caso de incêndio, locais ventilados ajudam a dissipar a fumaça e reduzem o desespero.
Orientações da aviação internacional
A Associação Internacional de Transporte Aéreo dá orientações para passageiros:
- Leve apenas dispositivos e baterias necessários;
- Avise a tripulação se um aparelho estiver quente, com fumaça ou danificado;
- Transporte celulares, laptops e câmeras na bagagem de mão;
- Remova todas as baterias de lítio da mala se ela for despachada no portão de embarque;
- Mantenha baterias sobressalentes e power banks nas embalagens originais.
Regras no Brasil
A Agência Nacional de Aviação Civil permite o transporte de baterias até 100 Wh na bagagem de mão. Modelos entre 100 Wh e 160 Wh precisam de autorização da companhia aérea. Baterias acima de 160 Wh são proibidas.
Todas as baterias devem ficar na bagagem de mão. O compartimento de bagagem despachada não permite acesso em caso de combustão.
Atenção às medidas
Existe diferença entre a linguagem comercial e a normativa da aviação. O comércio usa miliampère-hora (mAh). A aviação usa watt-hora (Wh). Dispositivos com baterias maiores, como notebooks, costumam usar a segunda escala.
Em uma bateria padrão de 3,7 volts, o limite de 100 Wh equivale a cerca de 27 mil mAh. Este teto atende a maioria das pessoas. Celulares têm cerca de 5 mil mAh. A maior parte dos power banks fica abaixo de 20 mil mAh.
Passageiros devem verificar as medidas com atenção. O varejo vende equipamentos de 30 mil mAh ou mais sem restrições.
