A inteligência artificial está cada vez mais presente no dia a dia e já começa a transformar a forma como os supermercados definem os preços dos produtos. O que antes dependia de um funcionário trocando etiquetas de papel manualmente agora pode ser feito em poucos segundos por sistemas automatizados.
A mudança acontece graças à combinação entre etiquetas eletrônicas de prateleira e softwares de inteligência artificial capazes de analisar informações em tempo real, como estoque, demanda, preços da concorrência e até fatores como clima e sazonalidade.
Como funciona a precificação inteligente
Os sistemas cruzam diversos dados ao mesmo tempo para calcular o preço ideal de cada produto. Entre as informações analisadas estão o volume de clientes na loja, a quantidade disponível em estoque, a proximidade da data de vencimento e os preços praticados por concorrentes.
Na prática, isso permite, por exemplo, reduzir automaticamente o preço de um iogurte que está perto do vencimento durante um horário de grande movimento, aumentando as chances de venda e diminuindo o desperdício de alimentos.
O papel das etiquetas eletrônicas
As chamadas ESLs (Electronic Shelf Labels), ou etiquetas eletrônicas de prateleira, substituem as tradicionais etiquetas de papel. Elas são atualizadas remotamente por um sistema central, eliminando a necessidade de troca manual e permitindo alterações de preço quase instantâneas.
A tecnologia já está em expansão
Grandes redes internacionais, como Walmart, Kroger e Whole Foods, já utilizam etiquetas digitais em suas lojas. O Walmart, por exemplo, pretende expandir a tecnologia para cerca de 2.300 unidades, cobrindo mais de 120 mil produtos por loja.
No Brasil, a adoção também avança. Empresas como a Selbetti Tecnologia já implementam o sistema em milhares de estabelecimentos. Segundo a companhia, 85% dos contratos fechados neste ano na área de varejo foram para instalação de etiquetas eletrônicas, com a expectativa de alcançar 100 lojas equipadas até o fim de 2026.
Benefícios e debates
Para os supermercados, a principal vantagem é a eficiência. A atualização automática reduz custos operacionais e pode aumentar a margem de lucro entre 2% e 5%, segundo estimativas do setor.
Ao mesmo tempo, a tecnologia também levanta discussões. Nos Estados Unidos, alguns estados apresentaram projetos para limitar o uso das etiquetas digitais por receio de que elas possam ser usadas para alterar preços de acordo com o perfil do consumidor ou o horário da compra, prática conhecida como surveillance pricing.
As grandes redes afirmam que adotam o mesmo preço para todos os clientes de uma mesma loja, independentemente do horário ou de quem está comprando.
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O que muda para o consumidor
No Brasil, esse debate ainda está no início, mas deve ganhar força à medida que mais supermercados adotarem a tecnologia. Para o consumidor, a mudança mais visível será a substituição das etiquetas de papel por telas digitais. Nos bastidores, porém, algoritmos de inteligência artificial já estarão ajudando a definir os preços em tempo real, tornando a gestão mais dinâmica e eficiente.
