Segundo a teoria, o líder revolucionário Fidel Castro não é cubano, e sua origem seria Tracuateua, interior do Pará

Muitas vezes, a trajetória de grandes figuras históricas é acompanhada por narrativas que ultrapassam os registros oficiais e mergulham no imaginário popular. São contos que atravessam gerações, alimentados pela distância geográfica e pelo mistério que envolve vidas dedicadas a causas globais.

Em cidades pequenas, longe dos grandes centros de decisão, essas histórias costumam ganhar raízes profundas, transformando boatos em tradições locais que resistem ao tempo e à comprovação documental.

Na última quinta-feira, dia 13 de agosto de 2026, Cuba celebrou o centenário de nascimento de Fidel Castro, líder revolucionário que faleceu em 2016 e se eternizou como uma das principais figuras da ilha caribenha. As homenagens em Havana reuniram mais de 1.500 ativistas estrangeiros e contaram com uma rara aparição pública de Raúl Castro, irmão de Fidel, ocorrendo em um momento em que a ilha enfrenta uma grave crise energética e econômica.

O líder revolucionário, que faleceu aos 90 anos, continua sendo uma das figuras mais marcantes da política mundial. Entretanto, segundo algumas pessoas, herói da revolução cubana pode não ter nascido na ilha. Na verdade, eles acreditam que Fidel veio ao mundo num local bem diferente - o interior do Pará.

FIDEL CASTRO PARAENSE?

A data comemorativa do centenário de Fidel reviveu uma curiosa teoria que há décadas circula na região Norte, a possibilidade de Fidel ter nascido em solo paraense. Ainda no começo dos anos 2000, o entusianta do tema Edilson Silva Oliveira fez uma pesquia por conta própria e passou a defender uma teoria de que o líder cubano teria nascido na cidade de Tracuateua, no nordeste do Pará.

Segundo trabalho dele, o pai de Fidel, Ángel Castro, teria chegado ao município paraense no início da década de 20 para trabalhar como barqueiro. Na cidade, ele teria conhecido Delphina Smith, uma descendente de alemães com quem teria se casado e tido um filho chamado Fidel, nascindo às margens do Rio Quatipuru em 1926, onde teria passando parte da infância, sendo apelidade de "Fidelito", brincando entre canoas e campos e aprendendo português antes de se mudar com o pai para Iquitos, na região amazônica do Peru, onde ele possuía uma outra família.

Ainda segundo o levantamento de Edilson, a ausência de um registro oficial sobre a identidade papa-chibé de Fidel se deve a um incêndio ocorrido no cartório da cidade na década de 1960, que teria destruído os documentos. Segundo a lenda contada por alguns moradores da cidade, o fogo teria sido intencionalmente provocado por Che Guevara e sua tropa, na intenção de apagas as provas que o líder da Revolução Cubana não teria nascido na ilha.

Para muitos, entretanto, a história sobre a origem secreta de Fidel é tratada como uma certeza. Tanto que, na época em que a teoria começou a ganhar forma mais consolidada, por volta de 2005, chegou a ser sugerida uma mudança no nome do município para homenagear o suposto paraense ilustre, além da construção de um parque temático no local. Entre as opções de nome, estavam Fidelópolis, Fidelândia Gloriosa e Nova Fidel.

A TEORIA TEM SENTIDO?

Mas afinal, existe a possibilidade de um dos símbolos de Cuba ter na realidade nascido no Pará? Apesar da quantidade de depoimentos e as histórias que circulam na cidade, oficialmente, a resposta oficial para a pergunta é direta: não.

A comunidade acadêmica e biógrafos oficiais tratam a informação como improvável e sem nenhuma base em evidências históricas sólidas. Claudia Furiati, a única biógrafa oficial de Fidel Castro, chegou a classificar a teoria como "fantasiosa", afirmando que não existem registros da passagem de Ángel Castro pelo Brasil e que em Cuba existe a certidão origial de seu nascimento na cidade de Birán, em dia 13 de agosto de 1926.

Em 2006, Edilson ainda chegou a tentar solicitar um exame de DNA de Fidel com um suposto tio paraense, que acabou falecendo antes da realização do teste - não que o processo fosse necessariamente ser feito, já que não havia interesse ou pedido do exame pelas partes envolvidas.

Mesmo com a história desacreditada pela comunidade acadêmica, ela se tornou um elemento cultural com certa popularidade em Tracuateua. E dessa forma, entre o rigor dos fatos e a criatividade da lenda, o centenário de Fidel Castro talvez ganhe força e motivos para ser celebrado para além das fronteiras de Hanava, rendendo homenagens também em sua terra natal - mesmo que esse local seja a apenas imaginária Fidelândia.

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